A linha – ensinava dona Casturina e isso faz tempo para mais de metro e meio – a linha é formada por uma sucessão de pontinhos muito próximos uns aos outros.
Dezenas de anos depois alguém voltava com a idéia da linha, dessa vez para informar que o indivíduo cujo desenvolvimento integral é muito represado assemelha-se a uma linha cheia de nós. Cada nó concentra uma série de frustrações. Quer dizer, a pessoa ao atingir a idade cronológica adulta, pode ser até fisicamente toda ‘enrolada’ como a rama de certos espinheiros. Essa deformação física decorre obviamente de um complexo de deformações psicológicas.
Durante uma carrada de anos me preocupei muito com essa segunda imagem baseada na linha. Realmente me pareciam terríveis as perspectivas nesta nação onde a imensa maioria da população coleciona frustrações o tempo todo. Acho que somos o ‘país do futuro’ há quinhentos anos! Futuro demorado não é mesmo? E ao longo de todo esse tempo não houve um qüinqüênio sem um fenomenal escândalo na administração pública.
Minha preocupação voltou mais forte quando o nosso Presidente Lula garantiu aos microfones, com todas as letras, que ‘nunca neste país houve um governo tão ético’.
Minhas condições de acesso aos poderosos são praticamente nulas. Mesmo assim passei um par de noites pensando em como alertar ao nosso Presidente sobre as notícias dos jornais e das revistas sobre o que está ocorrendo em seu governo ‘ético’. Desisti acuado pelas palavras do Governo sobre serem tais notícias ‘fabricadas’ pela mídia’. Desisti porque ninguém consegue esboçar um alerta a alguém ou a algum grupo que se nutre da má fé.
Não creio em que haja alguma coisa boa nesse Governo, em termos éticos.
Mas comecei a pensar na linha. Sempre a linha.
E comecei a pensar na linha porque os objetos vetoriais são constituídos com base na linha. Quando você cria um nó intermediário numa linha, pode obter dois segmentos de linha. Cada segmento pode voltar-se para uma direção. E é assim que o CorelDRAW, por exemplo, gera belíssimas ilustrações.
Ainda não faço a menor idéia sobre o futuro do povo brasileiro entregue as sucessivas frustrações diárias. Talvez sejamos um imenso campo de espinheiros-da-virgínia, cheios de nós e de espinhos, um povo amargo, irado, belicoso, um povo rastejante.
Espero, entretanto que aos olhos do mundo possamos nos parecer como uma belíssima ilustração.
Pelo menos isso.
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