quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Para pensar
A vida não precisa necessariamente ser fácil para a gente ser feliz. Mas, a gente precisa ser feliz para a vida ser mais fácil.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
DE LINHAS, DE FRUSTRAÇÕES E DE BELÍSSIMAS ILUSTRAÇÕES.
A linha – ensinava dona Casturina e isso faz tempo para mais de metro e meio – a linha é formada por uma sucessão de pontinhos muito próximos uns aos outros.
Dezenas de anos depois alguém voltava com a idéia da linha, dessa vez para informar que o indivíduo cujo desenvolvimento integral é muito represado assemelha-se a uma linha cheia de nós. Cada nó concentra uma série de frustrações. Quer dizer, a pessoa ao atingir a idade cronológica adulta, pode ser até fisicamente toda ‘enrolada’ como a rama de certos espinheiros. Essa deformação física decorre obviamente de um complexo de deformações psicológicas.
Durante uma carrada de anos me preocupei muito com essa segunda imagem baseada na linha. Realmente me pareciam terríveis as perspectivas nesta nação onde a imensa maioria da população coleciona frustrações o tempo todo. Acho que somos o ‘país do futuro’ há quinhentos anos! Futuro demorado não é mesmo? E ao longo de todo esse tempo não houve um qüinqüênio sem um fenomenal escândalo na administração pública.
Minha preocupação voltou mais forte quando o nosso Presidente Lula garantiu aos microfones, com todas as letras, que ‘nunca neste país houve um governo tão ético’.
Minhas condições de acesso aos poderosos são praticamente nulas. Mesmo assim passei um par de noites pensando em como alertar ao nosso Presidente sobre as notícias dos jornais e das revistas sobre o que está ocorrendo em seu governo ‘ético’. Desisti acuado pelas palavras do Governo sobre serem tais notícias ‘fabricadas’ pela mídia’. Desisti porque ninguém consegue esboçar um alerta a alguém ou a algum grupo que se nutre da má fé.
Não creio em que haja alguma coisa boa nesse Governo, em termos éticos.
Mas comecei a pensar na linha. Sempre a linha.
E comecei a pensar na linha porque os objetos vetoriais são constituídos com base na linha. Quando você cria um nó intermediário numa linha, pode obter dois segmentos de linha. Cada segmento pode voltar-se para uma direção. E é assim que o CorelDRAW, por exemplo, gera belíssimas ilustrações.
Ainda não faço a menor idéia sobre o futuro do povo brasileiro entregue as sucessivas frustrações diárias. Talvez sejamos um imenso campo de espinheiros-da-virgínia, cheios de nós e de espinhos, um povo amargo, irado, belicoso, um povo rastejante.
Espero, entretanto que aos olhos do mundo possamos nos parecer como uma belíssima ilustração.
Pelo menos isso.
Dezenas de anos depois alguém voltava com a idéia da linha, dessa vez para informar que o indivíduo cujo desenvolvimento integral é muito represado assemelha-se a uma linha cheia de nós. Cada nó concentra uma série de frustrações. Quer dizer, a pessoa ao atingir a idade cronológica adulta, pode ser até fisicamente toda ‘enrolada’ como a rama de certos espinheiros. Essa deformação física decorre obviamente de um complexo de deformações psicológicas.
Durante uma carrada de anos me preocupei muito com essa segunda imagem baseada na linha. Realmente me pareciam terríveis as perspectivas nesta nação onde a imensa maioria da população coleciona frustrações o tempo todo. Acho que somos o ‘país do futuro’ há quinhentos anos! Futuro demorado não é mesmo? E ao longo de todo esse tempo não houve um qüinqüênio sem um fenomenal escândalo na administração pública.
Minha preocupação voltou mais forte quando o nosso Presidente Lula garantiu aos microfones, com todas as letras, que ‘nunca neste país houve um governo tão ético’.
Minhas condições de acesso aos poderosos são praticamente nulas. Mesmo assim passei um par de noites pensando em como alertar ao nosso Presidente sobre as notícias dos jornais e das revistas sobre o que está ocorrendo em seu governo ‘ético’. Desisti acuado pelas palavras do Governo sobre serem tais notícias ‘fabricadas’ pela mídia’. Desisti porque ninguém consegue esboçar um alerta a alguém ou a algum grupo que se nutre da má fé.
Não creio em que haja alguma coisa boa nesse Governo, em termos éticos.
Mas comecei a pensar na linha. Sempre a linha.
E comecei a pensar na linha porque os objetos vetoriais são constituídos com base na linha. Quando você cria um nó intermediário numa linha, pode obter dois segmentos de linha. Cada segmento pode voltar-se para uma direção. E é assim que o CorelDRAW, por exemplo, gera belíssimas ilustrações.
Ainda não faço a menor idéia sobre o futuro do povo brasileiro entregue as sucessivas frustrações diárias. Talvez sejamos um imenso campo de espinheiros-da-virgínia, cheios de nós e de espinhos, um povo amargo, irado, belicoso, um povo rastejante.
Espero, entretanto que aos olhos do mundo possamos nos parecer como uma belíssima ilustração.
Pelo menos isso.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
AVARÉ
Na poesia, sobretudo na poesia, a gente lê frequentemente sobre nascer muitas vezes e sobre muitas vezes a gente morrer. Claro que podemos entender que isso é escrito num sentido figurado, a menos que a tese esteja sendo defendida por um Eninho da vida. O Eninho, para quem não sabe, gostava de mandar a gente ‘pensar um pouco sobre a teoria espírita’. Mal sabia que tal exercício me punha pavor. Era horrível tirar a emissora do ar e caminhar durante a noite, pelas ruas então desertas de um Avaré que hoje não existe mais.
Já não existe aquele Avaré, nem mesmo existo mais naquele ‘eu’ de então. Aquele ‘eu’ era o arremate do alicerce e é preciso cavar fundo para encontrá-lo. Cavando fundo, bem fundo, aquele ‘eu’ me volta. E me vejo aprendendo a ‘responder a missa’ rezando em Latim sob a orientação do Samuel, sacristão da Igreja de Nossa Senhora das Dores. Já sabia ler e escrever porque, no sítio, fora alfabetizado. Eu era um dos alunos do Grupo Escolar Maneco Dionísio. O menor da classe. Sempre fui o menor aluno em todas as classes, até terminar o Curso Técnico em Contabilidade, no Sedes Sapientiae. Eu sempre fui o menor porque convivia com gigantes da estirpe de um José Roberto Batóchio, de um Roberto Keller, de um Zezé Guazelli. Isso, na escola formal, porque na escola da vida as personalidades de meu convívio eram ‘colossos’; Armando Padredi, Clóvis Guerra, Nassin Chaim, Elias Almeida Ward, Tininho Negrão, o Carlito Ferreira.
Eu não estou falando em poesia. Sem a licença poética não posso dizer que nasci muitas vezes. Preciso achar um modo de explicar a sensação que me passa quando penso em Avaré, pois chego a pensar que em Avaré ocorreu um dos meus tantos nascimentos. Não. Eu não nasci em Avaré, nasci no campo, num pedaço de chão que se chamava Serra Velha. Nem está no mapa.
A Avaré que está no mapa é uma bolinha, um pingo.
Maior, muito maior, é a Avaré que está em meu coração.
Já não existe aquele Avaré, nem mesmo existo mais naquele ‘eu’ de então. Aquele ‘eu’ era o arremate do alicerce e é preciso cavar fundo para encontrá-lo. Cavando fundo, bem fundo, aquele ‘eu’ me volta. E me vejo aprendendo a ‘responder a missa’ rezando em Latim sob a orientação do Samuel, sacristão da Igreja de Nossa Senhora das Dores. Já sabia ler e escrever porque, no sítio, fora alfabetizado. Eu era um dos alunos do Grupo Escolar Maneco Dionísio. O menor da classe. Sempre fui o menor aluno em todas as classes, até terminar o Curso Técnico em Contabilidade, no Sedes Sapientiae. Eu sempre fui o menor porque convivia com gigantes da estirpe de um José Roberto Batóchio, de um Roberto Keller, de um Zezé Guazelli. Isso, na escola formal, porque na escola da vida as personalidades de meu convívio eram ‘colossos’; Armando Padredi, Clóvis Guerra, Nassin Chaim, Elias Almeida Ward, Tininho Negrão, o Carlito Ferreira.
Eu não estou falando em poesia. Sem a licença poética não posso dizer que nasci muitas vezes. Preciso achar um modo de explicar a sensação que me passa quando penso em Avaré, pois chego a pensar que em Avaré ocorreu um dos meus tantos nascimentos. Não. Eu não nasci em Avaré, nasci no campo, num pedaço de chão que se chamava Serra Velha. Nem está no mapa.
A Avaré que está no mapa é uma bolinha, um pingo.
Maior, muito maior, é a Avaré que está em meu coração.
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